segunda-feira, 8 de março de 2010

UM ENSAIO SOBRE A MULHER

Muito se discute a respeito da preservação ambiental, e quase sempre não lembramos que entre as espécies mais ameaçadas de extinção, está a fêmea da espécie humana. Ainda não tenho em casa um desses raros exemplares, pois às vezes não basta querermos, (na realidade quase sempre são elas é que escolhem o seu habitat!), mas juro que se tiver a oportunidade, a cuidarei com extremo zelo e dedicação, embora na realidade saiba que é ela quem vai tornar a minha vida melhor. As dicas a seguir foram escritas baseadas na minha interpretação de um texto escrito por Fábio Reynol sob encomenda da jornalista Mônica Waldvogel em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

1º PASSO: HABITAT

Uma mulher não pode ser mantida em nenhuma forma de cativeiro. Se for enclausurada, fugirá ou morrerá por dentro, pois não há corrente que as prenda, e as que se submetem à jaula perdem a sua alma e sua vivacidade. Uma mulher é uma criatura à qual você jamais terá a posse, e cuja única forma de prendê-la a você é uma linha tênue e frágil que precisa ser reforçada diariamente, o amor puro e incondicional.

2º PASSO: ALIMENTAÇÃO

Embora ninguém viva de vento, essas adoráveis criaturas vivem de carinho, portanto faça com que isso não lhes falte, pois se você não der, ela encontrará quem o faça. Beijos matinais acompanhados de um “eu te amo” são os nutrientes que as manterão viçosas e perfumadas durante todo o dia, e abraços frequentes são os líquidos que as mantêm hidratadas. Flores são iguarias agradáveis a seu refinado paladar, ajudando ainda a fortalecer seu sistema imunológico, evitando que adquiram traços masculinizados e brutalidade. Obrigatória ainda uma visita semanal a bons restaurantes, hotéis confortáveis onde se possa desfrutar de um ambiente discreto e acolhedor, com taças de espumante, morangos com chantily e outras delícias, que irão favorecer e incentivar o acasalamento, essencial para a vida a dois e a preservação da espécie.

3º PASSO: RESPEITE A ORDEM NATURAL DAS COISAS

Se você não suporta a TPM, case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação... Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso. Não tolha a sua vaidade. Hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping, isso é um comportamento tipicamente feminino, e só se deve tomar cuidado com estes últimos pontos para não criar um zumbi consumista.

4º PASSO: DIVERSIDADE DE ESPÉCIES

A existência da inteligência feminina foi contestada durante muito tempo, por homens inseguros que buscam aquelas que fingem não possuir cérebro (ou realmente não o usam), na realidade meros bibelôs, peças de decoração que apesar de bonitas são ocas por dentro. Um homem de verdade não coleciona bibelôs, se relaciona com mulheres de verdade, que embora não possuam seus títulos, suas graduações, podem possuir mais massa cinzenta do que você, pois a inteligência é inerente à idade, estudo ou ambiente. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça, sem preocupações, pois ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

5º PASSO: TUDO NO SEU DEVIDO LUGAR

Mãe é a mulher que te amamentou, que te ajudou a se transformar em adulto, mas esposa, namorada ou amante é a mulher que te transforma diariamente em homem. Cada uma tem o seu período de atuação e determinado grau de influência ao longo de sua vida. Trocar uma pela outra não só vai prejudicar você como destruirá o que há de melhor em ambas. Não faça sombra sobre ela. Se você quiser ser um grande homem, tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar você vai pegar um bronzeado, mas se ela estiver atrás, você pode levar um pé-na-bunda.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um relacionamento com uma mulher, antes de um compromisso, deve ser um Tratado de Respeito Mútuo, de reconhecimento de nossas virtudes, nossos defeitos e de como somos interdependentes um do outro. A grande sabedoria em um relacionamento é entender o quanto nossa felicidade depende de nós mesmos e como podemos expandir essa felicidade a nossos parceiros.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Hipocrisia

(Texto recebido por e-mail de autoria indicada como sendo de William Douglas,juiz federal com mestrado em Direito e pós-graduação em Políticas Públicas e Governo)


O QUANTO DE BORIS EXISTE EM VOCÊ?

Após ouvir lixeiros desejarem "feliz 2010", Boris Casoy disse "... que m----, dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras... (risos) ... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho." O episódio chocou. As reações que está sofrendo são exageradas? Ou ele as merece? Os lixeiros desejaram a todos (inclusive a ele, portanto) "paz, saúde, dinheiro, trabalho" e o que se seguiu foi, usando sua terminologia, "uma vergonha".
O pedido de desculpas, protocolar, não teve eficácia, talvez até o contrário. A oposição entre a imagem do apresentador e o comentário em off, revelador de uma visão elitista e preconceituosa, frustrou a ideia de respeito a todos e ao telespectador (imaginem o filho de um gari ouvindo isso). A rudeza dos comentários não se resolve por ter sido um acidente e não é fácil pedir desculpas pelo que se é ou pensa. Contudo, até que ponto a diferença entre nós e o Boris reside apenas no azar que ele deu pelo vazamento? O quanto de Boris existe em cada brasileiro?
Quando alguém se refere ao ponto "mais baixo na escala do trabalho" pode estar se referindo ao conteúdo moral ou social da atividade (como, por exemplo, criticar o tráfico ou a agiotagem), pelos riscos ou pela remuneração reduzida. A atividade de lixeiro não é nociva à sociedade. Nocivo seria, para a saúde e meio ambiente, que eles não atuassem. Como o risco não é tão grande, por eliminação, resta a remuneração. E aí reside um preconceito que resiste: julgar a dignidade das pessoas, ou das profissões, de acordo com sua remuneração. Há que se reconhecer que nem sempre existe equilíbrio entre a importância social de uma função e os ganhos que esta proporciona. E não se pode confundir o desejo de melhorar de vida ou ganhar mais, e a admiração por quem logra isto, com uma postura de menoscabo com as funções menos rentáveis.
Todo trabalho é digno. O que existe, em cada ofício, são pessoas que agem bem e outras não. Existem servidores públicos, CEO's, lixeiros, jornalistas e juízes dignos e indignos, o que se define pela forma como exercem sua atividade. Mais que isso, Jesus dizia que "a vida do homem não consiste na abundancia dos bens que possui".
Se você, leitor, julga alguém melhor ou pior levando em consideração o quanto a pessoa ganha, ou como se veste, ou onde mora, é preciso reconhecer que em você há, escondido, um pouco desse lado sombrio que o Boris revelou ter. Talvez o lado positivo desse episódio seja a reflexão sobre até que ponto ele não revela nossos preconceitos em off.
Camila Pitanga, que faz o papel de uma faxineira na novela global, afirmou que anda pelo estúdio sem ser cumprimentada quando está com os trajes da personagem. Feliz pelo papel ser convincente, não deixou de anotar como é estranho ficar "invisível", Esse fenômeno já foi objeto de estudo por um professor da USP que, vestido de faxineiro, ficou "invisível" na universidade, por anos. Em suma, quem deixa de ver o faxineiro, não deixa de ter seu lado Boris. Não que o Boris seja de todo mal, ele não é. Ninguém é. Somos todos humanos, com nossos lados luminosos e sombrios.
Boris também errou ao analisar a função de lixeiro. Os "'garis" são figuras simpáticas à população, vivem de bom humor e, ao lado dos carteiros, têm índices de aprovação e confiança que fazem corar os Poderes, a igreja e a imprensa. Infelizmente, estas instituições não são eficientes para limpar seus respectivos "lixos" como os garis o são com o lixo que lhes cabe. Por fim, não esquecer que - com seu jeito e ginga - um gari ilustra o vídeo institucional da bem sucedida campanha "Rio 2016". No Rio, os concursos para gari são concorridíssimos.
Certa vez, fui a uma festa na casa de um Procurador do Ministério Público do Trabalho (negro e onde grande número de convidados eram afrodescendentes). Fui com meus dois filhos e a babá do mais novo. Ela, negra, não está acostumada a ir a festas com tantas pessoas da sua cor. Em restaurantes e colégios caros, só para dar dois exemplos, é raro encontrar pessoas negras. Depois da festa, perguntei à babá o que ela achou e sua resposta foi: "Achei muito diferente, Dr. William. As pessoas olhavam para mim!". De fato, quem reparar vai ver quantos ignoram os trabalhadores mais humildes, quando não chegam a destratá-los. Naquele ambiente raro, a jovem experimentou a "não invisibilidade".
E você, leitor? Cumprimenta seu lixeiro? O garçom? A babá da vizinha? O porteiro? Você os vê? Aquele áudio procura você. Se você se julga, ou julga os outros, por quanto ganha, por qual carro tem, ou se não tem um, então o episódio pode revelar esse lado do Boris em seu cotidiano. Melhor que apenas discutir o que fez o Casoy é também questionarmos até que ponto reconhecemos o valor de todo e qualquer trabalho honesto.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ilusões e Incertezas

Qual a nossa grande incerteza? O que nos tira o sono?
O fracasso, a infelicidade, o medo de errar?
Diante dessas afirmações, quem nunca hesitou? Quem nunca pensou duas vezes antes de entar de cabeça em um projeto, uma relação? Somos seres egoístas por natureza, sádicos por opção e medrosos por hereditariedade. Desde a infância somos bombardeados por informações como o que é certo e o que é errado, como somos e como deveríamos ser, e inúmeras outras besteiras que nos impõem mas não nos explicam o porquê! Porquê temos que gostar do que a maioria gosta, nos vestir como todo mundo se veste, agir como se fôssemos programados a representar um papel, seguir um ideal. Eu tenho um ideal, você tem outro, e até aquele teu colega idiota têm um, embora não pareça! Se nossos objetivos são tão diversos, porquê nossas ações também não podem ser?
A atual "realidade" nos mostra o que devemos ser: cordeirinhos que aceitam tudo o que nos mandam fazer, e que irão receber tudo o que já vinham recebendo, e pior, gostar disso e ainda agradecer aos céus por isso!